Tendências em viagens corporativas para 2027

O setor de viagens corporativas no Brasil fecha 2025 como um dos melhores momentos de sua história. Segundo o Levantamento de Viagens Corporativas, feito pela FecomercioSP em parceria com a Alagev, o mercado movimentou R$ 147,8 bilhões no ano, alta de 6,3% frente a 2024, o maior valor da série histórica iniciada em 2011.

Esse crescimento não é isolado. Ele reflete uma mudança mais profunda no setor. Viagem corporativa deixou de ser tratada como custo operacional. Virou decisão estratégica, medida e justificada com dados, tanto no Brasil quanto no restante da América Latina.

Para 2027, isso muda o que se espera de política de viagens, tecnologia e gestão financeira. A seguir, cinco tendências que devem definir o próximo ciclo do setor.

A viagem precisa provar retorno financeiro

Um estudo da GBTA mostra que, nos Estados Unidos, cada dólar investido em viagens corporativas gera US$ 1,16 em atividade econômica adicional, somando US$ 623,8 bilhões em impacto no PIB americano em 2024.

O dado é dos Estados Unidos, mas a lógica se aplica igualmente à América Latina.

Empresas que não conseguem demonstrar esse retorno tendem a cortar viagem primeiro em qualquer revisão orçamentária.

Por isso, calcular o ROI da gestão de viagens deixa de ser um exercício pontual, feito uma vez na implementação de um sistema, e passa a virar rotina trimestral de gestão em 2027.

O volume de viagens também está subindo

De acordo com a pesquisa The State of Corporate Travel and Expense 2026, da Skift em parceria com a Navan, 90% dos viajeros de negócios já consideram a viagem um investimento essencial ou um custo necessário, alta de 8 pontos percentuais frente ao ano anterior.

O mesmo levantamento mostra que 48% dos viajeros fizeram seis ou mais viagens de negócios nos últimos 12 meses, contra 40% no período anterior.

Mais viagem significa mais volume de dados para justificar. E mais pressão sobre quem precisa consolidar esse número no fechamento do mês.

Inteligência artificial entra na operação do dia a dia

A própria Alagev já projeta esse movimento para 2026 e 2027: mais empresas devem adotar inteligência artificial para otimizar custos, prever picos de demanda, reduzir riscos operacionais e integrar toda a jornada do viajante aos sistemas internos da empresa.

Isso não substitui a necessidade de viagens presenciais. Simplifica a gestão por trás delas.

Relatórios deixam de ser compilados manualmente, aprovações passam a considerar histórico de comportamento, e exceções são sinalizadas antes de virarem problema de auditoria.

Na prática, isso significa que a diferença entre plataformas deixa de estar apenas na interface de reserva.

Passa a estar na capacidade de cruzar dados de diferentes fontes (política, orçamento, histórico de viagem) para tomar decisões automáticas com segurança, sem exigir intervenção manual em cada solicitação.

Compliance deixa de ser trabalho manual

Com mais viagens, mais países e mais agências parceiras envolvidas, políticas de viagem genéricas perdem sentido rapidamente.

A política de viagens corporativas já precisa variar conforme o perfil do viajante, e essa segmentação tende a se aprofundar em 2027, com regras específicas por área, cargo e tipo de deslocamento.

Automação assume parte da fiscalização

O papel do OBT na aplicação da política de viagens se torna ainda mais central quando a auditoria manual não acompanha mais o volume de reservas.

Empresas que dependem de conferência humana para cada exceção tendem a perder velocidade operacional no próximo ciclo.

Esse movimento também explica por que TMC e OBT trabalham cada vez mais em conjunto, em vez de funcionarem como alternativas concorrentes entre si.

Duty of care vira fator de retenção de talento

O relatório Business Travel Outlook 2026, da Zurich Insurance, mostra que 60% dos viajeros de negócios deixariam a empresa se sentissem que sua segurança não é prioridade durante a viagem.

O dado reposiciona duty of care: deixa de ser item de apólice de seguro e passa a impactar diretamente a retenção de talento.

Para operações que lidam com picos de demanda e viagens internacionais frequentes, isso reforça que suporte humano em momentos críticos segue insubstituível, mesmo com tecnologia madura no dia a dia da operação.

O que sustenta essas tendências em 2027

As cinco tendências convergem para um mesmo ponto de partida: dados centralizados, políticas adaptadas por perfil de viajante e uma arquitetura tecnológica aberta o suficiente para conectar TMC, OBT e sistemas financeiros sem retrabalho manual.

É por isso que o software de gestão de viagens corporativas se tornou praticamente indispensável no mercado das TMCs.

Empresas que ainda tratam tecnologia como acessório, e não como infraestrutura estratégica, tendem a perder competitividade no próximo ciclo do setor.

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