O aumento da complexidade operacional, a pressão por eficiência e a necessidade de integração em tempo real mudaram a forma como as TMCs precisam atuar.
Hoje, o conceito de Travel as a Service (TaaS) surge não apenas como uma evolução tecnológica, mas como uma mudança estrutural na forma como as operações de viagens corporativas são construídas.
Segundo Rogério Silva, head de tecnologia da Argo, o principal diferencial do TaaS está justamente em abandonar a lógica tradicional dos softwares monolíticos.
Continue a leitura para acompanhar essa evolução.
O desafio dos softwares tradicionais de viagens corporativas
Durante muitos anos, as OBTs (Online Booking Tools) funcionaram como principal estrutura tecnológica das TMCs. O problema, segundo Rogerio, é que esses sistemas foram criados dentro de uma lógica rígida.
“Você compra, instala e usa o que está disponível. O software tradicional não foi pensado para a diversidade operacional das empresas.”
Isso se torna um problema relevante porque cada corporação possui necessidades muito diferentes.
Algumas exigem forte controle de políticas, outras precisam de integrações específicas com ERPs, sistemas financeiros ou fluxos de aprovação personalizados.
Além disso, muitas TMCs ainda operam sobre estruturas altamente fragmentadas, com ferramentas separadas para reservas, despesas, relatórios e compliance.
O que muda com o modelo TaaS
Em vez de depender de um único software fechado, a operação passa a funcionar sobre uma arquitetura orientada a serviços, onde cada componente atua de forma modular e integrada.
Rogerio usa um exemplo bastante claro para explicar esse modelo: caso uma TMC queira incorporar funcionalidades relacionadas à gestão de carbono nas viagens corporativas, ela não precisa mais esperar anos por uma atualização do fornecedor tradicional.
Com serviços modulares, basta conectar um novo bloco funcional via APIs, o que reduz o tempo de inovação e aumenta a flexibilidade operacional das TMCs.
Integração deixa de ser diferencial e vira infraestrutura
Outro ponto central do modelo as a Service está na integração entre sistemas.
Rogério é direto ao afirmar: “sem integração real, o TaaS não existe, já que ela funciona como espinha dorsal desse modelo. E, na visão da Argo, esse fluxo acontece em três níveis:
- entre fornecedores de conteúdo e plataforma;
- entre plataforma e sistemas corporativos;
- entre os próprios módulos internos da operação.
Ele também exemplifica esse cenário ao explicar que uma reserva realizada pelo viajante pode já aparecer automaticamente categorizada no centro de custo correto dentro do ERP da empresa sem qualquer intervenção manual.
Eficiência operacional sem crescimento proporcional da equipe
Um dos desafios das TMCs sempre foi crescer sem aumentar proporcionalmente a estrutura operacional. Segundo Rogério, o TaaS resolve exatamente esse problema ao automatizar atividades repetitivas e reduzir fricção operacional.
Ele cita como exemplo o processo tradicional de alteração de bilhete aéreo, que normalmente envolve múltiplas etapas manuais: contato do viajante, validação de política, alteração em GDS e envio de confirmação.
No modelo TaaS, boa parte desse fluxo acontece automaticamente.
“O sistema verifica a elegibilidade da alteração em tempo real conforme a política da empresa, faz a remarcação automaticamente — e o agente humano só é acionado se houver uma exceção.”
Dados em tempo real mudam o papel da TMC
Outro elemento na evolução do TaaS está no uso de dados em tempo real. Ele explica que muitas empresas ainda operam com relatórios mensais ou trimestrais de despesas de viagens corporativas, o que reduz capacidade de resposta.
No modelo Travel as a Service, a decisão acontece durante a operação. Para ele, uma plataforma bem construída consegue identificar imediatamente:
- aderência à política;
- impacto no orçamento;
- alternativas mais econômicas;
- desvios operacionais.
“Em vez de ser um intermediário que processa transações, você passa a ser um parceiro estratégico que ajuda o cliente a tomar decisões melhores com base em dados.”
IA e automação como próxima camada do TaaS
Outro aspecto que Rogério destaca relevante é a inteligência artificial, que representa o próximo estágio da evolução do modelo. Mas ele faz questão de destacar que não está falando apenas de chatbots.
“A IA é o que transforma o TaaS de eficiente para verdadeiramente inteligente.”
Isso inclui desde recomendação automática de tarifas até detecção de anomalias em despesas e alertas preditivos relacionados à jornada do viajante.
O avanço do conceito de agente de viagem autônomo, capaz de pesquisar, reservar, alterar e cancelar viagens dentro dos limites definidos pela política corporativa também pode ser um diferencial:
“A IA não substitui a TMC; ela potencializa o que a TMC pode fazer com menos esforço operacional e mais precisão.”
O risco das TMCs que não evoluírem
O especialista também é bastante direto ao falar sobre o futuro das operações que permanecerem presas a modelos tecnológicos rígidos.
“O risco é muito simples de descrever, mas muito duro de encarar: irrelevância.”
Segundo ele, os clientes corporativos estão cada vez mais exigentes em relação à integração, automação, flexibilidade e capacidade analítica.
Nesse cenário, TMCs que operam sobre estruturas fragmentadas tendem a perder competitividade rapidamente.
Por outro lado, empresas que evoluírem para modelos baseados em TaaS possuem oportunidade de se posicionar como infraestrutura estratégica de travel management dentro das corporações.
Agora, que tal evoluir sua operação? Conheça as soluções da Argo e descubra como o modelo Travel as a Service pode transformar sua gestão de viagens corporativas com mais integração, automação e inteligência operacional.