Viagens corporativas sustentáveis: como alinhar ESG, compliance e resultados auditáveis

O Imperativo ESG

A gestão de viagens corporativas evoluiu para além da simples otimização de custos. Atualmente, a política de viagens de uma organização é um reflexo direto de seu compromisso com a sustentabilidade e os critérios Ambientais, Sociais e de Governança (ESG). 

Mesmo após um período de incerteza global, o setor de viagens corporativas domésticas, por exemplo, demonstrou uma forte retomada e crescimento, mas essa recuperação carrega consigo a responsabilidade de diminuir os impactos ambientais causados pelos deslocamentos a negócios.

O mercado global impõe uma pressão crescente, não apenas de reguladores, mas também de stakeholders chave, incluindo clientes, investidores e, fundamentalmente, os próprios colaboradores. 

Pesquisas mostram que empresas com práticas sustentáveis são preferidas por 82% dos consumidores em certos mercados. Essa preferência transforma a sustentabilidade de uma iniciativa opcional em um critério decisivo para licitações, negociações e a própria valorização da marca.

O alinhamento das viagens a negócios aos pilares ESG deve ser sistemático e ir além da mera conveniência ou do preço mais baixo.

Segundo o relatório Sustainability & Business Travel 2023 (GBTA), 78% das empresas globais já incorporam critérios ESG nas decisões de viagem

Alinhamento aos Pilares ESG na Mobilidade Corporativa

As políticas de viagens precisam integrar ativamente os três pilares do ESG, transformando a gestão de viagens em uma ferramenta estratégica de responsabilidade social corporativa.

  • Pilar Ambiental (E): o foco primário trata sobre a redução da pegada de carbono, o consumo de energia em hotéis e a gestão de resíduos.
  • Pilar Social (S): abrange o bem-estar e a segurança do viajante, além das condições de trabalho éticas oferecidas pelos fornecedores de transporte e hospedagem.
  • Pilar Governança (G): exige transparência total, compliance regulatório e a aplicação rigorosas de políticas internas para mitigar riscos, como o greenwashing, que é a prática de se dizer sustentável sem adotar medidas efetivas para isso

A seguir, a Tabela 1 organiza a forma como os critérios de sustentabilidade devem ser mapeados diretamente nas decisões de viagens:

Alinhamento de Viagens Corporativas aos Pilares ESG:

Pilar ESG Foco em Viagens Corporativas Relevância para a empresa
Ambiental (E) Emissões de CO₂, escolha de modais de transporte, consumo de energia em hotéis. Redução da Pegada de Carbono (Escopo 3) e cumprimento de metas climáticas.
Social (S) Bem-estar do viajante, segurança e condições de trabalho dos parceiros de transporte e hospedagem. Engajamento dos colaboradores, retenção de talentos e responsabilidade social.
Governança (G) Aplicação rigorosa de políticas, transparência em contratos, auditoria de despesas e relatórios verificáveis (CSRD). Conformidade regulatória, mitigação de riscos (Greenwashing) e credibilidade junto a investidores.

 

A Revolução da Transparência: compliance regulatório e as emissões de Escopo 3

A sustentabilidade em viagens corporativas tem um peso significativo na área de compliance, especialmente em um cenário regulatório cada vez mais restritivo.

Pelo GHG Protocol, viagens de negócios estão classificadas como Categoria 6 do Escopo 3, que inclui todas as emissões indiretas de fornecedores — as mais difíceis de medir com precisão.

Viagens de Negócios e o desafio do Escopo 3

O cálculo das emissões de gases de efeito estufa (GEE) é categorizado em três escopos pelo GHG Protocol, o padrão global de contabilidade. As viagens de negócios são classificadas na Categoria 6 do Escopo 3. 

O Escopo 3 é o mais complexo, pois engloba todas as emissões indiretas geradas pelas atividades de uma organização, mas que não são de propriedade ou controle direto dela (como a queima de combustível em um voo comercial).

A avaliação do impacto total da cadeia de valor corporativa é essencial, e o desafio de medir o Escopo 3 está na dificuldade de coletar dados exatos e verificáveis de fornecedores terceirizados.

A Urgência da CSRD e a necessidade de dados auditáveis

A pressão para a exatidão dos dados é impulsionada por novas diretivas internacionais. A Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Empresarial (CSRD) da União Europeia é um marco regulatório que exige que grandes empresas que satisfaçam a determinados critérios (como volume de negócios superior a 50 milhões de euros ou mais de 250 trabalhadores) adaptem seus programas de viagens e seus relatórios de sustentabilidade.

A CSRD torna a medição de emissões uma obrigação de Governança. A partir do exercício financeiro de 2025 (com relatórios em 2026), a conformidade se torna obrigatória para muitas grandes corporações. 

O ponto de principal  relevância é que esta diretiva exige uma auditoria de terceiros nos relatórios de sustentabilidade. Gestores de viagens precisam garantir que os dados de emissões fornecidos sejam rigorosamente exatos e verificáveis para cumprir os requisitos de relatórios e as normas de responsabilidade.

A exigência de relatórios auditáveis (CSRD) e a necessidade de dados exatos elevam o custo da inação. Se uma empresa não conseguir fornecer dados precisos e rastreáveis de Escopo 3, ela corre o risco de falhar no pilar de Governança, sujeitando-se a multas e declínio da credibilidade. 

A tecnologia de gestão de viagens e despesas (T&E) deixa de ser apenas uma ferramenta de economia de custos e se torna a infraestrutura essencial para o compliance regulatório.

Medição precisa e verificável: o desafio dos dados na prática

Para que os relatórios de sustentabilidade resistam às auditorias, as metodologias de cálculo de emissões devem seguir padrões globais rigorosos. O uso do método GHG Protocol é comum, mas o setor aéreo tem desenvolvido padrões ainda mais específicos. 

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) lançou uma Metodologia de Cálculo de $CO_2$ por passageiro, que se tornou uma prática recomendada.

Essa metodologia utiliza dados operacionais verificados das companhias aéreas para fornecer um cálculo preciso de CO₂  por passageiro em um voo específico. O método leva em consideração fatores como a medição de combustível alinhada ao Esquema de Compensação e Redução de Carbono para Aviação Internacional (CORSIA), o princípio de cálculo baseado em peso e a alocação de emissões por passageiro e carga. 

A utilização desses padrões é fundamental para empresas que buscam definir metas voluntárias de redução e para que os gestores de viagens possam tomar decisões informadas sobre compensação ou uso de Combustível de Aviação Sustentável (SAF).

A precisão dos dados é fundamental para evitar o greenwashing— alegações ambientais enganosas. O aumento da fiscalização e as ações judiciais recentes estão forçando as empresas a serem mais cautelosas na forma como comunicam seus esforços. 

A cautela na comunicação impulsiona a demanda por sistemas internos que forneçam rastreabilidade completa e dados granulares. A falta de transparência e de dados auditáveis é o cerne do risco de greenwashing, posicionando o controle interno de T&E como a principal defesa contra este risco de governança. 

Estratégias de redução e oimização: do Shifting Modal ao SAF

Com a infraestrutura de dados em vigor, as organizações podem implementar estratégias concretas para reduzir as emissões do Escopo 3 e garantir que seus programas de viagens tenham um impacto ambiental positivo e mensurável. As empresas precisam passar do discurso para a ação, implementando progresso real em seus programas de viagens.

A primeira estratégia, e a mais eficiente, é repensar a razão do deslocamento. É vital que as organizações tenham claro  quando e por que os funcionários viajam, priorizando deslocamentos que ofereçam valor comercial claro e utilizando reuniões virtuais como alternativa quando a presença física não é essencial. Essa abordagem equilibra os objetivos de negócios, o bem-estar dos colaboradores e o impacto ambiental.

Outras estratégias incluem:

  • Política de Shifting Modal (Mudança de Modal): optar por meios de transporte menos poluentes é uma das formas mais eficazes de reduzir a pegada de carbono. Sempre que possível, substituir viagens aéreas por modais como trens de alta velocidade, que emitem significativamente menos CO₂.
  • Sustentabilidade nas decisões de aquisição: O regulamento exige que a sustentabilidade seja incorporada nos critérios de aquisição. Isso implica firmar parcerias apenas com fornecedores — companhias aéreas, hotéis e locadoras— que apresentem políticas ambientais claras, relatórios de impacto e programas ativos de neutralização de carbono. A Global Business Travel Association (GBTA) inclusive lançou normas de sustentabilidade para orientar a aquisição de serviços aéreos e hoteleiros.

SAF e Compensação de Carbono: gerenciando o custo do propósito

A descarbonização da aviação é um fator crítico, e o Combustível de Aviação Sustentável (SAF) desempenha um papel central. Contudo, os mandatos de SAF em diversos mercados estão gerando um aumento nos custos de deslocamento. 

Companhias aéreas estão introduzindo taxas e sobretaxas para apoiar essa transição, o que exige que as empresas destinem orçamentos  de forma adequada e integrem esses custos em suas políticas de viagens sustentáveis.

A compensação de carbono é uma estratégia que deve ser considerada após a implementação de todas as medidas de redução viáveis. Ela envolve o investimento em projetos que removem ou reduzem CO₂ da atmosfera, como energia renovável ou reflorestamento, para neutralizar as emissões inevitáveis das viagens. 

A escolha de parceiros de compensação de carbono deve ser cuidadosamente verificada para garantir a credibilidade e o impacto real dos projetos.

O aumento do custo do SAF e a priorização de modais menos intensivos em carbono criam um dilema entre Eficiência (custo/tempo) e Propósito (Ambiental). A gestão moderna entende que a eficiência não é mais apenas escolher o menor preço, mas sim estratégias que visam a redução  da pegada de carbono dentro do orçamento. 

Resolver esse complexo trade-off exige dados em tempo real para decidir se o valor do deslocamento justifica o custo financeiro e ambiental, uma complexidade que somente plataformas tecnológicas de T&E podem resolver, aplicando regras antes mesmo da reserva ser concluída.

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O motor da governança: como a tecnologia garante o enforcement sustentável

A implementação de políticas de sustentabilidade em viagens corporativas é ineficaz sem um mecanismo de enforcement robusto. A tecnologia de gestão de viagens e despesas (T&E) atua como o motor da Governança, garantindo que as diretrizes ambientais e de aquisição sejam cumpridas de forma consistente e auditável.

Muitas organizações enfrentam o desafio de traduzir os fortes compromissos corporativos em progresso real e prático. As plataformas centralizadas e unificadas automatizam aprovações e aplicam regras em tempo real, eliminando a discricionariedade e o desvio de políticas de forma simples e confiável. E isso é fundamental para as organizações, pois a sustentabilidade depende da adesão contínua em toda a cadeia de viagens, da reserva à prestação de contas.

A tecnologia, ao automatizar e integrar os processos, garante que a política interna (como a obrigatoriedade de priorizar fornecedores com certificação ESG ou modais de menor impacto) seja aplicada rigorosamente no momento da transação. 

A capacidade de garantir o cumprimento das políticas internas de forma simples e confiável é essencial para qualquer programa de viagens sustentáveis. Para uma visão detalhada sobre como obter total controle corporativo inteligente, você pode consultar essa documentação complementar.

Da reserva ao relatório: visibilidade total e controle em tempo real

O controle sobre a sustentabilidade começa com a captura granular e centralizada dos dados. Plataformas unificadas de gestão de viagens e despesas são essenciais para coletar informações de emissões de todas as categorias—aéreo, terrestre e hospedagem. 

Essa coleta precisa é o que permite transformar dados brutos em relatórios que atendem aos critérios de verificabilidade exigidos pela CSRD.

Recursos tecnológicos avançados possibilitam:

  1. Aprovação centralizada e fluxos de trabalho flexíveis: as regras de sustentabilidade podem ser configuradas por perfil de colaborador ou centro de custo, garantindo que as políticas de priorização de modais sejam aplicadas e aprovadas automaticamente no início do processo.
  2. Gestão responsável de recursos: além da eficiência financeira, a tecnologia moderna rastreia bilhetes não utilizados, maximizando o uso de créditos e garantindo uma gestão de recursos mais responsável (pilares E e G).
  3. Integração para auditabilidade: a integração inteligente com sistemas financeiros (ERPs como SAP e Totvs) e bancos é essencial. Essa conectividade unifica os dados de despesas, emissões e custos em um formato seguro, rastreável e auditável, alinhando a contabilidade ambiental com os sistemas financeiros corporativos. 

A criação de relatórios customizados e dashboards permite aos gestores de viagens extrair insights e mapas de orçamento precisos. 

Próximos passos: as tendências que moldam o futuro da sustentabilidade em viagens corporativas

O futuro da gestão sustentável de viagens está intrinsecamente ligado à adoção de tecnologias emergentes e à adaptação contínua aos desafios climáticos.

A Inteligência Artificial (IA) como aliada ambiental

A Inteligência Artificial (IA) já está reforçando os esforços de sustentabilidade ao melhorar a coleta de dados de emissões e a capacidade de previsão do impacto ambiental de diferentes cenários de viagem. A IA pode analisar padrões complexos e sugerir rotas e fornecedores que minimizam o impacto, otimizando o equilíbrio entre custo, tempo e pegada de carbono. 

No entanto, o seu uso deve ser implementado de forma consciente, considerando o consumo de energia da própria IA para garantir que a solução tecnológica esteja alinhada aos objetivos de sustentabilidade de longo prazo.

Resiliência climática e mitigação de riscos

As alterações climáticas estão resultando em perturbações de viagem mais frequentes, desde eventos climáticos extremos a atrasos operacionais. As organizações precisam de estratégias para mitigar esses riscos e construir resiliência em seus programas de viagens. 

Isso envolve aprimorar o monitoramento dos colaboradores em tempo real e criar protocolos que permitam respostas eficazes a eventos imprevisíveis, garantindo a segurança e o bem-estar do viajante (pilar Social).

Engajamento do colaborador e transparência na reserva

Uma tendência crescente é fornecer informações de sustentabilidade aos viajantes no momento da reserva. Ao visualizar o impacto ambiental de cada escolha (por exemplo, a emissão de CO₂ de um voo versus um trem), o colaborador é capacitado a tomar decisões mais sustentáveis. 

O engajamento dos colaboradores, que se identificam com práticas de responsabilidade corporativa, é um benefício direto que fortalece a cultura interna. Para saber mais sobre como a tecnologia pode automatizar reservas, políticas e aprovações em uma única tela, oferecendo a rastreabilidade necessária para o compliance ESG, clique e entenda como funciona nossa solução de gestão de viagens corporativas.

Conclusão: sustentabilidade não é custo, é vantagem competitiva auditável

A sustentabilidade em viagens corporativas transcendeu o status de “iniciativa opcional” e se estabeleceu como um imperativo estratégico, financeiro e regulatório. O principal desafio das grandes empresas é superar a lacuna entre o discurso e a prática, garantindo que a política seja aplicada de forma consistente e que os dados de emissão sejam exatos e auditáveis.

Organizações que investem na medição precisa do Escopo 3 e no enforcement via Governança tecnológica obtêm benefícios estratégicos imediatos,  tais como:

  • Redução da pegada de carbono verificável;
  • Valorização da marca perante clientes e investidores conscientes;
  • Vantagem competitiva em licitações que exigem comprovação de sustentabilidade;
  • Garantia de compliance regulatório frente a diretivas como a CSRD.

O sucesso de um programa de viagens sustentáveis reside na integração perfeita entre a eficiência operacional, a conformidade rigorosa e o propósito ambiental. Apenas com a tecnologia correta, é possível garantir que cada decisão de viagem, da reserva ao relatório, esteja alinhada às metas ESG e às exigências de transparência globais.

Como a Argo pode elevar a sua gestão de viagens e compliance ESG a um novo patamar

A complexidade da sustentabilidade em viagens corporativas e a rigidez do compliance ESG exigem uma plataforma que combine controle financeiro rigoroso com a capacidade de coleta de dados ambientais granulares. A Argo é a plataforma de Expense & Travel unificada, desenvolvida para empresas que exigem controle total e conformidade de compliance. 

Ao automatizar a aplicação de políticas, desde a aprovação até o reembolso, e ao garantir a visibilidade total das despesas e rotas, a solução da Argo oferece o pilar de Governança necessário para transformar as emissões de Escopo 3 em relatórios precisos e auditáveis. 

Eliminamos a burocracia, evitamos o retrabalho e fornecemos a segurança e a rastreabilidade necessárias para que sua organização não apenas atenda aos requisitos da CSRD e do GHG Protocol, mas também lidere pelo exemplo em responsabilidade corporativa.

Não arrisque a a reputação da sua empresa. Garanta o compliance CSRD e integre a sustentabilidade à sua política de forma nativa. Fale com um dos nossos especialistas e conheça a Argo, a plataforma de controle total para seu futuro ESG.

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